A segunda-feira (03) começou com batidas na porta de criminosos em cinco municípios paranaenses. Em uma ação policial conjunta entre a Polícia Civil do Paraná (PCPR) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), dez pessoas foram presas durante a segunda fase de uma operação contra uma organização criminosa especializada em roubos de cargas na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116). Ações criminosas eram marcadas por violência extrema, uso de armamentos e planejamento digno de filme de ação.
Foram cumpridas 23 ordens judiciais, sendo 10 mandados de prisão — quatro contra investigados que já estavam presos e seis contra alvos localizados em Curitiba, São José dos Pinhais, Campina Grande do Sul, Fazenda Rio Grande e Almirante Tamandaré. Apenas um investigado segue foragido.
Investigação de 18 meses revela grupo violento e estruturado
A investigação começou em janeiro de 2025 e já dura 18 meses. As apurações apontam que o grupo é responsável por pelo menos 20 roubos de cargas entre maio de 2025 e janeiro de 2026 — todos cometidos com violência extrema e planejamento digno de filme de ação.
A primeira fase da operação, em maio de 2025, já havia resultado na prisão de 16 investigados. Com o aprofundamento das investigações e o trabalho integrado entre PCPR, PRF e as Guardas Municipais de São José dos Pinhais e Campina Grande do Sul, novos integrantes foram identificados, o que culminou nesta segunda fase.
Método cruel e oportunista
De acordo com o delegado da PCPR André Feltes, o grupo atuava de forma estruturada e violenta, com foco na região de Campina Grande do Sul, entre o Paraná e São Paulo.
Os criminosos:
- 🕵️ Monitoravam o tráfego durante a noite e escolhiam caminhões de forma oportunista, principalmente veículos baú e frigoríficos;
- 🚗 Utilizavam diversos automóveis para acompanhar as vítimas;
- 🔄 Realizavam o transbordo das cargas em estradas vicinais com baixa cobertura de sinal de telefonia, dificultando a localização dos veículos roubados;
- 🚨 Aproveitavam acidentes registrados na rodovia para praticar roubos, rendendo motoristas e demais pessoas que estavam no local.
Mas o modus operandi mais cruel envolvia a abordagem em movimento: os criminosos emparelhavam os veículos com os caminhões e efetuavam diversos disparos de arma de fogo contra os para-brisas para obrigar os motoristas a parar. Em pelo menos dez ocorrências, marcas de tiros foram encontradas nos caminhões. Em um caso, o motorista perdeu o controle, capotou — e mesmo assim, os criminosos tentaram subtrair a carga.
Arsenal de guerra
Os criminosos não brincavam durante o serviço. Nas ações criminosas, utilizavam:
- Veículos com sinais identificadores adulterados;
- Balaclavas e coletes balísticos;
- Rádios comunicadores;
- Armamentos de grosso calibre, alguns de uso restrito.
Destaque trágico: o roubo que terminou em morte
Entre os alvos desta segunda fase estão dois indivíduos presos em flagrante em janeiro de 2026 após participarem do roubo de um caminhão na BR-116, em Campina Grande do Sul. Esse crime ocasionou um grave acidente e resultou na morte de seis ocupantes de uma van. Um dos presos é apontado como um dos líderes da organização criminosa.
Integração que dá resultado
O chefe do Núcleo de Comando de Operações Especiais da PRF, Mateus Tozetto, destacou a importância da integração: “A atuação conjunta permitiu o compartilhamento de informações de inteligência e o apoio operacional no cumprimento das ordens judiciais, fortalecendo o combate às organizações criminosas que atuam nas rodovias federais.”
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes da organização, bem como os responsáveis pela receptação e comercialização das cargas roubadas.
Os investigados respondem pelos crimes de:
- ⚖️ Roubo circunstanciado;
- ⚖️ Adulteração de sinal identificador de veículo automotor;
- ⚖️ Organização criminosa.
Confira abaixo as imagens das ações policiais:



