O despertador estava diferente na manhã desta terça-feira (22) para os envolvidos no crime, em cinco municípios, de dois Estados. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou uma operação de grande porte para desarticular uma organização criminosa estruturada, armada e altamente hierarquizada — que operava um verdadeiro “delivery” de drogas e um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro em Curitiba e região.
Foram cumpridas:
- 15 ordens de prisão preventiva;
- 25 mandados de busca e apreensão em Curitiba, Colombo e Guaratuba (PR), além de Itapema e Itapoá, ambas em Santa Catarina.
A Justiça também determinou:
- Bloqueio de 15 contas bancárias (pessoas físicas e jurídicas) até o limite de R$ 1 milhão;
- Medidas assecuratórias sobre 10 veículos utilizados pelo grupo.
🔍 Como tudo começou
A investigação teve início a partir da prisão em flagrante de um integrante do grupo em novembro de 2025, no bairro Vila Izabel, em Curitiba, pela Polícia Militar do Paraná. O homem conduzia um veículo com fundo falso contendo drogas e dinheiro. Em sua residência, no bairro Mercês, a polícia apreendeu:
- 36 kg de maconha;
- 72 kg de cocaína;
- Porções de crack, metanfetamina, óleo de THC, ecstasy e LSD;
- 1 fuzil calibre 5.56 e munições de diversos calibres;
- 16 carregadores, balanças de precisão e cadernos com a contabilidade do tráfico.
🏢 Uma empresa do crime
A análise do material revelou uma organização que funcionava nos moldes de uma empresa, com:
- Escalas de trabalho;
- Dias de folga;
- Pagamento de salários fixos aos integrantes.
O líder do grupo definia diariamente, por meio de um grupo de mensagens, as rotas de entrega, os clientes, os tipos de droga e os valores a serem cobrados, além de fornecer os veículos utilizados na distribuição.
A estrutura contava com:
- 👩 Esposa do líder — gestão dos motoristas e recebimento de valores;
- 📦 Gerente — responsável pelo armazenamento das drogas;
- 🚗 Motoristas-entregadores;
- ⚖️ Fracionadores e pesadores de entorpecentes;
- 🛒 Rede de revendedores finais.
As conversas interceptadas também demonstraram a negociação de fuzis e pistolas e a intenção de instalar compartimentos ocultos em veículos para transporte de drogas e armas de grosso calibre.
💰 Lavagem de dinheiro sofisticada
No campo financeiro, a apuração identificou um esquema de lavagem baseado em:
- Empresas de fachada;
- Contas bancárias de familiares e terceiros;
- Linhas telefônicas cadastradas em nome de outras pessoas.
“Diligências de campo constataram que diversas dessas empresas não existem fisicamente e não possuem funcionários registrados. Uma delas, formalmente dedicada à revenda de veículos, recebia de forma sistemática os pagamentos via Pix decorrentes da venda de drogas, enquanto outra movimentou mais de R$ 2 milhões com o operador financeiro da organização”, detalhou o delegado da PCPR, Victor Loureiro Mattar Assad.
A investigação apontou ainda a aquisição de imóvel registrado em nome de interposta pessoa, acompanhada de contrato de locação simulado para dar aparência de legalidade ao patrimônio.
🔄 Capacidade de reorganização
Mesmo após a prisão do gerente do grupo, a organização manteve suas atividades em pleno funcionamento — o que demonstra sua capacidade de reorganização e a importância da operação deflagrada hoje.
Com a ação, a PCPR busca interromper a atuação criminosa e descapitalizar a organização. Os materiais, valores, documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos serão periciados e analisados, permitindo identificar novos integrantes, colaboradores e bens ocultados pelo grupo.





